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O legado de Joaquim Barbosa


Por Miriam Leitão 
Anunciada a aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), começa a especulação sobre se ele pensa em entrar na política ou não. De vez em quando, dava indícios de que sim; outras vezes, não. Como ministro e presidente do Supremo, Joaquim foi fundamental para um passo importante na vida do país.

Bastante sólido, o voto dele em relação ao caso do mensalão foi estruturado de uma forma que o país conseguiu lembrar de todo o episódio, além de ter sido acompanhado pela maioria dos ministros. Os que tinham sido denunciados pelo Ministério Público foram julgados e condenados e, nesse momento, estão cumprindo pena.

No julgamento da avaliação do trabalho de um presidente da Suprema Corte, o importante é saber como ele votou, como foi nos autos. O balanço é positivo.

O Brasil tinha a sensação de que a Justiça jamais chegaria aos muito poderosos, mas ele demonstrou que mesmo sendo indicado por um presidente que era do PT, na hora de julgar, separou as coisas. Nesse aspecto, a presidência dele foi altamente positiva. Ele deixa esse legado.

Joaquim foi um bom ministro. Todas as polêmicas nas quais ele esteve envolvido não têm a menor importância. O que conta é como se comportou como juiz, o que julgou, a força demonstrada ao longo de todo o processo como ministro e presidente do Supremo.

Quando ele entrou, comemorou-se a chegada do primeiro negro no STF. Ele sai e até agora não entraram outros. O que se quer é que seja mais normal haver negros na elite brasileira. Essa barreira tem que ser derrubada.

A aposentadoria dele está sendo bastante comentada porque como relator do processo do mensalão, ele inovou. Foi um caso que vai ficar na história do Brasil. Sobre ele sempre se falou muito: a favor, contra.

Joaquim disse que vai se dedicar à vida privada. Certa vez, numa conversa que tivemos, ele dissera que não ficaria até o final, até os 70 anos.

Acho que muita gente do atual governo vê com alívio a saída dele. Mas reduzidas todas as paixões provocadas por essa gestão, o que vai ficar é a lembrança de um ministro que foi forte, combativo, que apoiou suas convicções sobre um sólido conhecimento jurídico.

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